quarta-feira, 7 de abril de 2010

O Pelé dos quadrinhos




New York: Life in the Big City (título original): livro que reúne quatro graphic novels de Will Eisner - New York, O Edifício, City People Notebook e Pessoas Invisíveis. 400 páginas, com introdução de Neil Gaiman. Lançado pela CIA das Letras em 2009.



A Contract With God (título original): livro que revolucionou a arte sequencial. Volume com 202 páginas, lançado pela Devir livraria em 2007.

Nascido e criado na cidade de Nova York, Will Eisner foi para os quadrinhos o que Pelé ou Gabriel Garcia Marques são para o futebol e a literatura. Não é exagero afirmar que seu talento contribuiu, não só para o desenvolvimento dos quadrinhos como forma de arte, mais também para a reformulação de toda a indústria no mundo inteiro. Segundo ele mesmo, Eisner foi uma “testemunha gráfica, registrando a vida, a morte, o sofrimento e a luta incessante para triunfar...ou pelo menos sobreviver”.

Segundo o roteirista Neil Gaiman (Sandman) a vida de Eisner pode ser dividida em três atos.”No primeiro ato, conforme relatado no romance de Will, O Sonhador, ele era um homem que acreditava nos quadrinhos enquanto veículo de comunicação, um homem que escrevia e desenhava histórias excelentes, um homem que inventou um modelo de negócios para manter a posse das próprias criações (algo raro no mercado Norte-Americano), no segundo ato Will abandonou os quadrinhos numa época em que o futuro do setor parecia trágico (os quadrinhos adultos eram vistos com preconceito e com impossibilidade). (...) O terceiro ato é composto de toda uma carreira, com as pequenas histórias que compõem UM CONTRATO COM DEUS (o primeiro Grafic Novel da história). Produzida durante um período de mais de sessenta anos, a obra de Eisner foi notável, inteligente e consistente”.

Foi nesse terceiro ato que Eisner revolucionou o mercado americano. Lançado originalmente em 1978 UM CONTRATO COM DEUS é uma obra revolucionária que recria as memórias da infância de Eisner pelos cortiços dos anos 30. Foi graças a esse lançamento que o termo “grafic novel” foi inventado, motivado pela impossibilidade de definir uma obra tão poderosa e densa apenas como ‘história em quadrinhos’. Como um verdadeiro contador de histórias Eisner passou a se dedicar inteiramente as novelas gráficas com temas mais realistas. Passou os mais de 25 anos que o restavam de vida trabalhando em verdadeiras pérolas como No Coração da Tempestade, O último Dia no Vietnã, O Nome do Jogo, Nova York: A grande cidade, Caderno de Tipos Urbanos, O edifício e Pessoas invisíveis (os quatro reunidos no volume lançado ano passado pela Cia das Letras).



Os avanços conseguidos por Eisner podem ser facilmente vistos hoje em dia na indústria de quadrinhos. Graças a ele as histórias passaram a ser vistas não só como entretenimento infanto-juvenil, e sim como uma forma séria de arte. Sem ele seria impossível o surgimento de outros autores que vieram a mudar os quadrinhos nos anos 80, como Frank Miller (Batman o cavaleiro das trevas e Sin City) e Alan Moore (V de vingança, Watchman) E não são apenas nos roteiros que toda essa revolução é vista. Os desenhos transpiram vida. Tanto o leyout das páginas quanto os quadrinhos, as rachuras,tudo serve para ajudar a contar as histórias. Eisner já estava á frente do seu tempo nos anos 70, e mesmo hoje continua lá, bem a frente. Como diz o controverso roteirista Alan Moore “Eisner é o responsável por dar inteligência aos quadrinhos”. O tamanho de sua revolução não pode ser mensurado em palavras, só com desenhos e balões.

Considerado o artista mais importante dos quadrinhos e da cultura pop do século XX Eisner morreu em 2005, aos 87 anos. Sua morte deixou órfã toda uma geração de leitores e admiradores. Foi graças a sua genialidade e talento que os quadrinhos mudaram para sempre. Passando a ser reconhecidos, pelo termo que ele mesmo criou, arte seqüencial.

Nenhum comentário:

Postar um comentário